Bala, bola, boliche

Sempre riram dele, era o palhaço da rua, o bobo, o feio. Tentava namorar as meninas da turma e sempre recebia um "vou pensar" como resposta. Esperar este "vou pensar" era um tormento e ao mesmo tempo razão de vida, de sonho, de esperança.

No fundo, bem no fundo ele preferia que o dia da resposta não chegasse, pois sem resposta ainda havia vida. Mas mesmo demorando o dia chegava e com ele a maldita resposta também: "eu prefiro você como amigo".

Mas ele não queria ser amigo dela, na realidade ele não queria nem amigos ter. Ele queria amar, ter um namorada nos braços, desfilar de mãos dadas orgulhoso de si. O prazer da conquista desfrutar. Sabia que faria sua namorada a pessoa mais feliz do mundo.

Só lhe restava rir de si mesmo, mas não era feliz de verdade. Assumia dia-a-dia sua posição de bobo da turma. Era triste, mas fingia alegre, era amargo mas se mostrava doce, era solitário mas vivia cercado de piadas de mau gosto a seu respeito.

Um dia assistiu a um filme. Tornou-se sisudo, passou a sorrir para o espelho. Aprendeu e fazia questão de fazer mais e mais cara de bobo, de palhaço, de feio. Pediu a menina mais bonita da turma para namorar: "Vou pensar". Foi para casa, subiu as escadas, achou a arma do pai e sorrindo foi jogar boliche com a sua turma da rua, com suas amigas.

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