Boca de mulher

"Tua boca brilhando, boca de mulher,
Nem mel, nem mentira,
O que ela me fez sofrer, o que ela me deu de prazer,
O que de mim ninguém tira
Carne da palavra, carne do silêncio,
Minha paz e minha ira
Boca, tua boca, boca, tua boca, cala minha boca"
Caetano Veloso

A segunda coisa que noto em uma mulher é sua boca.
Segunda digo pois primeiro são os olhos, é através deles que buscamos no ritual da conquista saber se teremos acesso àquela boca.

Bocas contam muito sobre as mulheres. E como suas bocas também contam coisas sobre o mundo. Segredos, intrigas, milagres, receitas e desfeitas.

Bocas de lábios finos me lembram professoras, freiras - severas educadoras. Prontas a nos corrigir mas sempre abertas/entreabertas a sussuros conspiradores.

As Carnudas, bom estas nos levam à adolescência, aos hormônios saindo por todos os poros, Darwin e sua teoria da evolução nos conta, estas carnudas e vermelhas bocas são um convite ao banquete da perpetuação da espécie. Uma provocação erótica um chamado ao calor e prazer.

Algumas mulheres podem carregar uma afiada língua de trapo em suas bocas, outras um doce hálito orvalhado com gosto de madrugada verde, erva-doce.

Os peixes, dizem, morrem pela boca nós primatas humanos morremos muitas vezes por uma boca de mulher. Doce e feliz morte/viva, puro êxtase, mel de flores silvestres, brisa gelada de montanha - quente/ardente.

"Boca, tua boca, boca, tua boca, cala minha boca".

Impossível ser feliz sem uma boca de mulher. Só quem não provou, só quem não provou...

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