|
Imagem de EMS freebies
Que mundo maravilhoso!
Aconteceu uma coisa incrível! E precisava contar pra vocês!
Hoje pela manhã, encontrei um pequenino filhote de morcego, agarrado ao rodapé de chapisco do quiosque aqui da chácara. De longe parecia uma mancha, um borrão, quando cheguei perto, percebi os contorninhos do filhotinho.
Fiquei elétrica como uma criança que encontra um tesouro, eu mesma, aos 33 anos, nunca tinha visto um morcego vivo de perto. E esse era tão pequenino, tão delicadinho, um bebezinho...
Parece meio doido falar desse jeito de um bicho que muita gente tem horror, ou por causa de filmes de terror, ou porque ele parece com um rato ou por falta de informação.
Parece doido também falar que pensei em salvá-lo: tenho esse coração mesmo... era um bebê órfão, que devia estar com fome, frio e muito medo.
Não tive dúvidas: coloquei luvas, fiz um leitinho e usei uma haste de cotonete como canudinho... Dava para ver o coraçãozinho dele pulsando através da pele, tão assustadinho...
Pensei no meu filho, com um aninho, que não entendia ainda o que eu havia encontrado. Ele iria ficar maluquinho com uma coisinha dessas.
Fiquei com pena, achando que animalzinho estaria morto no dia seguinte, de fome, sei lá...
Fui pra internet, achei um site sobre morcegos: www.morcegolivre.vet.br , que me passou algumas informações muito preciosas para aquele momento: uma morcega mãe, tem apenas um filhote e consegue distingui-lo entre milhares de filhotes dentro de uma caverna, sem falar que é uma super mãe de tanto desvelo.
Aí fiquei mais chateada porque a mãe deveria estar desesperada atrás de sua cria, ele deveria ter caído enquanto ela voava.
Parece coisa de doido ainda, ok,ok...
Bem, arrumei um cestinho, forrei com uma toalha para ficar quentinho e protegi com uma cabacinha o nosso pequeno herói para que não fosse devorado pelos gatos, ou por alguma aranha, ou por formigas famintas. E passei a noite com meus pais fazendo arte na cozinha. Eram mais de 11 da noite quando resolvi vir pra minha casa (moramos um ao lado do outro) e resolvi passar no quiosque para ver meu paciente. Ele havia se pendurado de cabeça pra baixo (clássico) e estava dormindo. Aproveitei para acordá-lo e oferecer um pouco de leite, já devia ser hora da ceia dele.
O mais doido vem agora:
Achei que era uma enorme mariposa e esquivei a cabeça, aí notei que ele abria a pequena boca e soltava uns grunhidinhos. Na hora pensei: "É a mãe dele!"
Caramba era mesmo, que emocionante!
Que milagre de Deus este instinto de maternidade, que não diferencia criaturas! Que poder escomunal ser mãe, que coisa mais inacreditável! Depois de um dia inteiro, ela veio! Vi a luz do banheiro acesa e comecei a chamar pelo meu pai. “Vem aqui, a mãe dele veio buscá-lo!”. Ele não deve ter entendido nada, mas veio correndo.
E testemunhou esse acontecimento junto comigo, esta história que eu nunca teria presenciado, se não tivesse sido totalmente contaminada pelo poder da maternidade. E tudo poderia ter se acabado, se eu tivesse enchido um vidro com álcool e matado aquele pequenino ser, para poder mostrar aos outros depois.
Apagamos as luzes para que ela fizesse o que tinha que ser feito: resgatar o nosso pequeno
Bruce Wayne. E fomos para nossas casas.
Essa história acabou de acontecer, não tenho provas, apenas a minha palavra e a de meu pai. Vim direto ao computador registrar isso antes que perdesse a coragem de assumir que sou mesmo meio “doida”, mas tenho coragem.
Coragem para assumir meu amor pela natureza e pelos animais.
Coragem para poder salvar uma criaturinha de Deus que estava no mundo para também fazer seu papel e equilibrar o ciclo.
Coragem para espalhar que, independente de filhote de morcego ou de uma criança, de um velho saudável ou de um que inspira cuidados, de um amigo que está se perdendo, de um amor que parece impossível, que tenhamos esperança, que não desistamos, que sempre acreditemos.
Nem sei se a mãe foi bem sucedida em seu resgate, mas ela veio, isso é o que importa, e vou guardar esta história comigo para poder contar ao meu filho, que dorme tranqüilamente em seu berço, alheio às maravilhas que este mundo nos oferece, mas se depender de mim, não por muito tempo.
Carla "Batgirl"
P.S.: Acabei de vir lá de fora: resgate bem sucedido, mãe e bebê morcego passam bem em sua caverna. Sempre me senti meio bruxa, hoje deve ter sido minha iniciação oficial. Depois deste morceguinho e da Lua que está no céu, só falta ele crescer e vir me fazer uma visitinha. (09/03/2004, 23:53hs.)
Para entrar em contato
com a Carla, escreva para bernardes.carla@ig.com.br
|