Era uma vez um carnaval
William H. Stutz

Blocos barrocos
carnavais de tapetes coloridos
lanternas em báculos enfeitados,
lanternas de vime,
fitas e mais fitas além de belas chitas
no sobe e desce das ruas, fria chuva,
Zé Pereira.

num carnaval de pedras
paixão estonteante,
amor adolescente, imaturo, de repente

busca por amor puro
utópico, alucinante
paixão proibida, banida, expurgada
tribunal tendente, pérfido, sem alma
juiz leviano, inconfidente,
quadrilha

sentimentos machucados, corações sofridos
nobre e plebeu- história repetida
final previso, sórdida armadilha.

amor perpetuado na memória
dias de infindável alegria,
para os enamorados
sentimento encantatório da mais linda e impossível vitória

sumariamente julgados
friamente afastados

num carnaval de frias pedras
choro e tristeza
paixão agonizante

para um degredo.
para os dois, eterno e puro segredo.

o tempo,
felizes se fizeram, outros amores, outras e abrasadas quimeras.

Cristalizado na memória, entre confetes, serpentinas, chitas e multicoloridas fitas:
muito carinho, lembrança terna de um carnaval de pedras.

William H Stutz

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