SANGRIA
Foi assim que aconteceu. Era um morcego que fazia parte de um brinquedo.
Encaixava-se a um projétil expulso a elástico, e o coitado saía voando
rasante, coando e voltando bumerangue.
Uma hora voltou e caiu na piscina. O bicho mergulhou como pedra, meteoro,
e
bateu a cabeça no azulejo azul do fundo. Ficou imóvel, como se morto
estivesse, mas respirava o oxigênio da água.
Na primeira aproximação me mordeu os beiços. O mergulho era para salvá-lo
o puto me chupa sangria. Água de morcego é sangue, vermelho e quente,
enquanto vivo. Coagula nos caninos seringas e esvai-se como água que não
para na concha das mãos.
Satisfeito, o morcego voltou e voou no infinito. Levou-me plaquetas,
glóbulos brancos e vermelhos. Levou o que sou, e o que restou é tudo,
subtraindo o morcego.
LuBru
Luciana Franzolin ( LuBru )
LuBru, como é conhecida pelos anjos, nasceu em Bauru, interior de São Paulo em 29 de julho de 1978.
Jornalista, porque gosta de escrever, descobriu a fotografia na faculdade. Desde então tem o fotojornalismo como paixão.
Especialista em fotografia pela UEL, sonha um dia viajar o mundo como fotógrafa da National Geographics, ou algo assim. :-)
Enquanto isso, pratica Yoga e Tai-Chi e viaja só na meditação.
Biografia pinçada em Anjos de Prata