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COSME E DAMIÃO Não é muito difícil. Basta um pouco de imaginação pra entender. Era um vinte e sete de setembro, e foi isso que me chamou mais atenção: a coincidência da data e dos nomes. O fato de serem morcegos era o de menos... Meu amigo William já havia me explicado que não precisamos ter medo deles. Devemos sim protegê-los, por mais estranho que pareça. Também não lembro qual a longitude e a latitude daquela árvore, só sei que era um papo entre eles. Normal. Tinha escurecido, eu estava com frio e já me preparava para retornar do passeio pela fazenda. Tive um estalo! Espere aí: dois bichos estavam se comunicando. Normal? Alguém disse: -Normal?... Fechei os olhos e, para me sentir menos estranho, me imaginei coruja: fiquei quietinho, prestando a maior atenção... Curiosidade mata, minha avó diria. Mas eu pensei: -Sou um homem ou um rato?... Antes que o meu inconsciente saltasse em gargalhadas, tomei posição firme. Fiquei. Continuei quietinho. Não muito convicto nem confiante na minha coragem, mas fiquei... Estava escuro, eu não os via e torcia pela recíproca. O papo era claro, dava pra entender. Não eram os morcegos, em sua forma, que me intrigavam, e sim aquela estranha comunicação. Eles não são cegos, o William também já tinha me advertido. Porém, falar? Isso sim me amedrontava. Era algo diferente. A voz não saía, mas a comunicação, de tão perceptível, parecia audível. De alguma forma, eu estava ouvindo. Juro! O medo cedeu lugar a um estado de contemplação. Para garantir, deixei de ser coruja, fiquei invisível e mergulhei de corpo e alma no mundo deles, ao ficar tomado pela emoção com uma fala, que dizia assim:
- Sabe Cosme, o que eu estou lembrando agora? Daquela vez que a gente resolveu conhecer as árvores que nossos pais sobrevoavam. Eles tinham razão, aquelas frutas eram deliciosas. Doce puro. Saborosas. Não sei como nossos primos comem insetos... [risos]... Flores, ainda vai, mas insetos? "Irc"!... ... Aquele menino não fez por mal, Cosme... Morre de medo da nossa forma não muito favorável e, sobretudo, da imagem que nos impuseram através dos tempos... Fruto de mitos, lendas e mentiras. ... Mas esta injustiça um dia terá fim, meu irmão... Tem gente tentando mudar isso... Sim, eu vi... Graças ao trabalho de uns poucos, que aos poucos vão se transformando em muitos, nossa imagem está mudando... Talvez demore, sabe?... Talvez somente gerações futuras entenderão a nossa importância e perderão o medo... ... Ele não fez por mal, meu irmão. É apenas um menino... Que foi mal informado por um pai mal informado, que aprendeu com um avô mal informado... Que pensam que morcego é coisa ruim... Que se alimentam do sangue humano, o que a gente sabe que não é verdade. Somente alguns de nós se alimentam de sangue (três das quase mil espécies). Mesmo assim, de outros bichos... ... Já não tenho certeza se você está me ouvindo agora, Cosme. Mas alguém deve estar. E quando você chegar no outro lado, te dirá que eu, Damião, teu irmão, me despedi... E que irei sentir sua falta por aqui... Damião esperou cair mais uma lágrima, fechou as asas de seu irmãozinho mais novo, pediu a presença dos bons espíritos, deu-lhe o último beijo e bateu em retirada ao encontro do seu destino, quando percebeu que a molecada já havia ido embora e levado consigo a vara que matara Cosme...
Eu fiquei ainda ali parado por uns instantes, pensando no ser humano, no equilíbrio da natureza, nos desencontros, na nossa ignorância acerca das coisas, dos falsos medos. Na necessidade de união e cuidados, mútuos, independente da espécie... Quis voar, ao encontro daquele morceguinho que se ia triste. Mas voar eu não sabia... Ainda...
Em primeiro lugar, quero agradecer a você, amigo leitor, por estar aqui dispondo do seu tempo para nos prestigiar. Dizer ainda que estou torcendo muito para que você goste das "coisas" que escrevo. Pois sei que o seu contentamento será o combustível do meu sucesso. Por isso, estou puxando seu saco. Não!!! Não é isso. Apague esta última frase. O agradecimento é sincero e necessário, a brincadeira ao final do parágrafo, eu explico: é que, enquanto um lado meu vai escrevendo, um outro lado fica ali, na moita, querendo brincar... E dá nisso. E se eu não der espaço para os dois, dá uma tremenda briga (que nem filho, sabe?). De qualquer maneira, vocês gostando ou não dos textos, a culpa será sempre de "Os Anjos de Prata" e de seu inspirador, Mario Prata. Eles é que resolveram acolher qualquer um... Da próxima vez que tiver que fazer uma biografia, espero ter escrito muitas coisas, e realizado outras tantas nas áreas das ARTES, para não ter que "encher lingüiça". Também, se não fizesse isto, a biografia ficaria fria como segue abaixo: Luís Antonio Marinho de Moura (Lula Moura) é natural do Rio de Janeiro (RJ), onde nasceu no dia 4 de julho de 1959. Foi criado ali, nesta mesma cidade, morando em diferentes bairros. É formado em Astrologia, Análise de Sistemas e Administração de Empresas. E por aí vai... Biografia pinçada do site Anjos de Prata |
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