Meu coração à vezes parece a surreal Macondo, cem anos de solidão e chuva.
Chuva copiosa e fria.
Em seus curtos períodos de estiagem cobre-se de densa bruma fria e impenetrável,
como um pico de serra distante, inatingível.
Percebe-se às vezes na neblina silhueta furtiva que provoca redemoinhos fantasmagóricos a se mover em passos de dança.
Ritmado balé, às vezes em sua direção, às vezes se afastando. Palpita aflito. Amor provocante, desconhecido.
Busca incansável por alento de fogueira, calor vermelho-fogo ardente e protetor.
Busca eterna por paixão.
A esperança do fim da chuva, da bruma dissipada - vislumbre de um amor perfeito e eterno.
Meu coração busca... busca... busca...
Não haverá descanso, portos-seguros não existirão. Praias desertas áridas de sol e sal serão
suas trilhas. Dunas. Depois virão as florestas úmidas, verdes abafadas sufocantemente abafadas, então a muralha, a montanha
de cumes brancos de nuvens entrecortadas por dourados alvoreceres.
Cem anos de solidão e chuva - a primavera com certeza se aproxima, meu coração em paz ficará.
Ritmado, feliz, amando... amando... amando...
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