Mato todo dia um pouco da criança que existe dentro de mim.
Mato esta criança toda vez que leio um jornal, que vejo televisão ou que leio um livro ruim, toda vez que praguejo;
Mato esta criança sempre que vejo alguém maltratar um velho, um bicho, uma planta, um a criança...
Mato esta criança sempre que ouço/recebo/devolvo ofenças, rancores, mal humores, mal amores.
Mato esta criança toda vez que penso em pessoas tristes, sozinhas, amargas, egoistas, gratuitamente agressivas.
Mato esta criança quando na rua vejo a miséria de nosso povo, a violência espontânea, a fome a doença e falta de esperança;
Mato esta criança quando tenho que escrever sobre guerras, doenças, morte, catástrofes, traições, subornos.
Mas sei que, se mato esta criança todo dia, a cada destes mesmos dias esta mesma criança renasce dentro mim
sorridente, iluminda, suja de terra, pés descalços - soltando papagaio, face rosada, cheiro de jaboticaba e manga furtada
me dizendo que devo acreditar na vida e eu encantado com sua ternura me rendo, reconsidero e esperançoso sigo adiante.
A criança que trago aqui dentro é uma lagarta peluda e venenosa, mas que todo dia se transforma na mais linda borboleta do universo
e me acalenta.
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