Não atire o pau no gato

Gato Persa, gato Angorá, gato siamês, gato Rei, gata Rainha; gatinha, alma-de-gato.

Mas gato mesmo, pé duro, magro/maroto, ardiloso, a procurar comida em lixeiras de restaurantes disputando espaço com humanas figuras, este é, infelizmente, o gato brasileiro.

Tão maltrado como o próprio povo desta eternamente adormecida nação sem olhos para seu povo, suas crianças, seus velhos, seus gatos.

Alguns conquistaram lares e tigelas fartas de ração e leite morno, mas a maioria anda solta perdida e triste.

Ninhadas abandonados em sacos de sujos às vezes atirados aos rios.

Bicho dono de morte anunciada esse nosso gato brasileiro, de mau agouro os pretos são perseguidos como crias do demônio, alguns jamais verão a luz do sol ou estrelas cadentes, mortos são antes que seus lindos olhos se abram uma única vez.

Pardos nem todos gatos são, mas se ouvir um miado/lamento em alguma madrugada fria, ponha-se a pensar; mais uma pequena jóia da criação sofre perdida em algum beco da úmida cidade. Gato, gato pedrês, quer que te conte outra vez?

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