Noites afins - Sandro Silva

 
 
Morcegos - Conhecer para Proteger
      

     
   
 

Noites afins

O fio de luz morrente
dispara um exército
Silêncio e milênios
São testemunhas;

De adentradas noites
Em infinitas moradas
Escavadas, possuidas
Por nós morcegos;

Liberdade perdurada
Induz ao salto livre,
À luz da vida
sem lua, sem luz...?

Rumos afins, únicos
cheiros, cores, formas
perduráveis, palpáveis
E conquistados;

Há algum tempo atrás
Rato, vampiro, e o mal
Éramos o fim
E o tempo passou;

Vê agora a flor
e o fruto e a chuva
Que vêm da floresta
Do pássaro, do morcego!?

Obscuro olho humano
De caverna assombrada
Tens idéia fiel
De tua mórbida luz?

Ruins são teus olhos
E fraca tua audição
E teu imensurável ego
Ecoa num delimitado vazio;

Meia noite meu amor
Lua nova, lua nua de sol
Navegando sob pesadelos humanos
Posso alcançar-te tranquila

Desprender-me, flutuar
Nos sons rebatidos na pele
Impalpáveis noutras direções
Mas incrustrados em meu corpo

Morcego, multidão e solidão
nas cavernas e tabernas
Há muito tempo atrás, muito
O mundo se repete em novas fábulas.

Sandro Silva
29.07.2004

Sandro Silva é membro da equipe de Manejo de Fauna do
Laboratório de Manejo de Animais Peçonhentos e Quirópteros da SMS Uberlândia.