Noites afins
O fio de luz morrente
dispara um exército
Silêncio e milênios
São testemunhas;
De adentradas noites
Em infinitas moradas
Escavadas, possuidas
Por nós morcegos;
Liberdade perdurada
Induz ao salto livre,
À luz da vida
sem lua, sem luz...?
Rumos afins, únicos
cheiros, cores, formas
perduráveis, palpáveis
E conquistados;
Há algum tempo atrás
Rato, vampiro, e o mal
Éramos o fim
E o tempo passou;
Vê agora a flor
e o fruto e a chuva
Que vêm da floresta
Do pássaro, do morcego!?
Obscuro olho humano
De caverna assombrada
Tens idéia fiel
De tua mórbida luz?
Ruins são teus olhos
E fraca tua audição
E teu imensurável ego
Ecoa num delimitado vazio;
Meia noite meu amor
Lua nova, lua nua de sol
Navegando sob pesadelos humanos
Posso alcançar-te tranquila
Desprender-me, flutuar
Nos sons rebatidos na pele
Impalpáveis noutras direções
Mas incrustrados em meu corpo
Morcego, multidão e solidão
nas cavernas e tabernas
Há muito tempo atrás, muito
O mundo se repete em novas fábulas.
Sandro Silva
29.07.2004