Para Sarah
William H. Stutz


Saudosa de casa


Amiga
até as aves migram quando em vez. Faz isso. Quando bater saudade insana, migra para os trópicos em pensamento e alma.

Toma um suco que açai, belisca uma jaboticaba, mordisca um peroá fritinho. Um chopp gelado, um caldo de cana.
Deixa o calor de nosso sol brincar em sua pele. Sente, sente o carinho. Morno e bom.
Risonho e lindo.

Fecha os olhos. Sinta a brisa fresca do mar cor de esmeralda de Búzios ou de Maragogi, o respingar das ondas quebrando alegres em alva praia. Ouça o grito alegre das gaivotas a rodear os barcos, pairando livres em azul moldura. Gritam/piam esfomeadas e saqueadoras.

Mata a vontade, mata a saudade. Quando perceber, nem se dá conta.

Pronto, está preparada para mais uns dias em estranhas terras, frias e vazias.
Tenta, dá certo, comigo sempre funciona.

william h. stutz
janeiro - 2007
whstutz@gmail.com

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